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Quinta, 26 Março 2015 10:16

Histórico da Saúde do Trabalho

Durante muito tempo, a solução de problemas relacionados a acidentes e doenças de trabalho foi desempenhada por engenheiros de segurança, médicos do trabalho, a gerência das empresas e outros técnicos especializados, pois, até então, eram os únicos ditos “possuidores” do conhecimento para analisarem os riscos nos locais de trabalho e proporem soluções. Os trabalhadores, apesar de serem os principais interessados, eram tratados apenas como objetos passivos da investigação.


Essa visão atrasada de segurança e saúde ocupacional procurava amenizar, sanar ou remediar as consequências do trabalho somente após a ocorrência de eventos como acidentes e doenças, e no controle dos próprios trabalhadores. Desse modo, a prevenção restringia-se apenas ao seguimento de normas de segurança e ao uso de equipamentos de proteção individual (EPIs), que nem sempre eram acompanhados do seu fornecimento e treinamento adequados.


A noção de que os riscos presentes no ambiente de trabalho não são apenas um problema técnico, mas também apresentam características políticas e éticas, está mais diretamente relacionada com as relações de poder na sociedade e nas empresas do que propriamente com normas técnicas. Assim, a visão técnica de especialistas e cientistas sobre os riscos decorrentes de processos produtivos e tecnologias que subvalorizam as necessidades de seres humanos e do meio ambiente passou a ser desenvolvida por organizações de trabalhadores e cidadãos em geral, o que levou à luta pela defesa da vida, da democracia e de um ambiente de trabalho digno.


O bom desempenho das atividades empresariais está diretamente relacionado à manutenção do bom estado de saúde do trabalhador, a sua peça fundamental. A avaliação dos riscos no ambiente de trabalho precisa levar em consideração a vivência, o conhecimento e a participação dos trabalhadores, uma vez que estão diretamente expostos às situações inerentes ao trabalho do dia a dia e sofrem seus efeitos e, portanto, possuem um papel fundamental na identificação, eliminação e controle dos riscos. Além disso, a população em geral e o meio ambiente sofrem diretamente os efeitos dos processos produtivos, por meio da poluição ou dos acidentes ambientais.


Mais recentemente, em países da Europa e na América do Norte, houve uma mudança substancial no enfoque dos profissionais que trabalham com os riscos nos locais de trabalho. Nesse novo ponto de vista, prioriza-se a prevenção, ou seja, atua-se principalmente no controle e eliminação dos riscos na fonte, e não após a ocorrência de acidentes e doenças. Também a organização do trabalho e as práticas gerenciais passaram a ser reconhecidas como importante foco de análise, seja como causadoras de acidentes, doenças e sofrimento, ou como integrantes fundamentais das políticas de segurança e saúde nas empresas.

 

Fonte: PortalEducação